quarta-feira, 23 de julho de 2008

Poema Concreto (ou do concreto) - Com análise literária

a areia

o cimento

o cal

a casa subindo ao céus

o pedreiro

passando mal

vida de cão

vida de animal.

é preciso misturar

construir

pintar

acabar

acabar-se

Mas que remédio

É a vida do pedreiro

E nesse tédio

Vai erguendo mais um prédio

Mas o bom é construir

do piso até lá no teto

pois poema abstrato

não bota dinheiro em casa

e nem o rango no prato

E se o dinheiro for pouco

Pelo menos é concreto.

Uma obra prima. Literalmente um primor de construção. O pedreiro e sua árdua tarefa de construir nossas moradas. Ganhando pouco, passando mal. Construindo prédios de luxo mas sem conseguir grana pra construir a própria morada. O sentido neo parnasiano estruturalista inserido em um conteúdo essencialmente modernista e simbólico nos remete ao grande poeta Ovídio que em um de seus poemas exaltava a figura do concreto em oposição ao abstrato. Tudo isso, escrito depois de uma cervejada eleva o autor a uma condição de novo astro da poesia concreta. É uma poesia branca como a cal e quente como a areia do deserto. Ah, poeirenta como o cimento e molhada que nem a água. Precisa ser analisada não só pelos poetas em si mas por outros especialistas. Filósofos, por exemplo, iriam revelar toda a carga Nitchniana dos versos. Em relação à esse poema, o famoso compositor uruguaiaenense, Túlio Urach diria: “Quem ama não mata, mas entorta a pau!”.

A propósito de concreto ou abstrato, a tanga do nosso pedreiro, é concreta ou abstrata?




Um comentário:

Moises e Mariana Miranda disse...

hee muito bom PC, o duro é isso a poesia ainda está longe de render salários concretos..
mas a tanga da tua foto é abstrata logicamente

Moises