a areia
o cimento
o cal
a casa subindo ao céus
o pedreiro
passando mal
vida de cão
vida de animal.
é preciso misturar
construir
pintar
acabar
acabar-se
Mas que remédio
É a vida do pedreiro
E nesse tédio
Vai erguendo mais um prédio
Mas o bom é construir
do piso até lá no teto
pois poema abstrato
não bota dinheiro em casa
e nem o rango no prato
E se o dinheiro for pouco
Pelo menos é concreto.
Uma obra prima. Literalmente um primor de construção. O pedreiro e sua árdua tarefa de construir nossas moradas. Ganhando pouco, passando mal. Construindo prédios de luxo mas sem conseguir grana pra construir a própria morada. O sentido neo parnasiano estruturalista inserido em um conteúdo essencialmente modernista e simbólico nos remete ao grande poeta Ovídio que em um de seus poemas exaltava a figura do concreto em oposição ao abstrato. Tudo isso, escrito depois de uma cervejada eleva o autor a uma condição de novo astro da poesia concreta. É uma poesia branca como a cal e quente como a areia do deserto. Ah, poeirenta como o cimento e molhada que nem a água. Precisa ser analisada não só pelos poetas em si mas por outros especialistas. Filósofos, por exemplo, iriam revelar toda a carga Nitchniana dos versos. Em relação à esse poema, o famoso compositor uruguaiaenense, Túlio Urach diria: “Quem ama não mata, mas entorta a pau!”.
A propósito de concreto ou abstrato, a tanga do nosso pedreiro, é concreta ou abstrata?
Um comentário:
hee muito bom PC, o duro é isso a poesia ainda está longe de render salários concretos..
mas a tanga da tua foto é abstrata logicamente
Moises
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