Dia desses, passando em frente a um prédio, frente à praça, descobri que ali ia abrir um bistrô. Perguntado sobre o que era um bistrô, respondi que era um restaurante com nome diferente. Báh, achei até engraçada a resposta, mas fiquei com aquele troço martelando na cabeça. Bistrô, bistrô, bistrô. Parecia que todos os fantasmas dos mortos da Guerra dos Cem anos me atormentavam. Já estava me vendo perdido, sem fome, sem dormir. Tudo por causa do tal de bistrô. Procurei o pastor da minha igreja, o reverendo Google e ele, depois de largar um “Por mil preservativos usados!!!” me explicou que bistrô é um restaurante de origem francesa, com comida francesa, servido por famílias francesas e cuja principal característica é a simplicidade francesa, o aconchego e o atendimento carinhoso, amigável, bem íntimo mesmo. Tudo francês, claro. Báh gostei mesmo. Imagina eu, dono, e atendendo num restaurante desses. Chega alguém da família Bastos (aqueles que eram donos da Ipiranga) e eu vou atendê-los informalmente, intimamente: -E aí brother, tudo manêro? Como é que andam as ações da nossa empresa? O rango hoje ta maneirissimo. Um esgargot com mondongo é o cardápio do dia. Como? Como ? Têm um cabelo na sopa? Ah, relaxa, é do saco do Feijão. Falando nisso, Feijão, vem cá conhecer o pessoal.
Pois é, mas aí descobri que no Brasil, o pessoal que é mais sofisticado e elegante que os franceses, os bistrôs não tem nada disso. São restaurantes onde impera a sofisticação e é claro, a discrição e o distanciamento. Nada de escargôt com mondongo nem pantufas com charque. Isso, eu disse trufas. Os neguin comem uns tal de cassoulet, coq au vin e confit de pato. Putz, não sei nem falar esses troços. Melhor mesmo é ir lá no Joanpeter e comer aquele famoso X qualquer coisa, feito de qualquer jeito, que é delicioso.
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