sábado, 3 de maio de 2008

Duka - O centroavante dos gols impossíveis


Outro dia eu disse que o Duka era o artilheiro dos gols impossíveis. Tão impossíveis que ele jamais os fazia. Mas a grande verdade é que o Duka faz, realmente, os gols impossíveis. Eu só não disse isso pois acho que ele ia ficar insuportavelmente convencido. Pior que o Romário. Um deles foi no Jogo das Estrelas de um ano qualquer. O Jogo das Estrelas é uma partida que fizemos anualmente. A única que o meu empresário permite que eu atue amadorísticamente. Pois bem. Não lembro quem foi que lançou a “nega” assim, rasteirinha, deslizante, suave, tranqüila. Nem a Ana Botafogo deslizaria tão suavemente em O Lago dos Cisnes, como aquela bola deslizava em direção ao Duka. Mas eis que, resfolegante como um rinoceronte que acaba de ter seu território invadido, o zagueiro salta a frente e se prepara para , de um jeito neandhertal, colocar aquela dama para fora do campo de jogo. Tudo parecia crer que a jogada estava perdida. Inapelavelmente perdida. Só que o Duka é o Duka e daquela cabeça pode sair qualquer coisa. Até caspa ou cabelo , levado pela força da gravitação universal. Pois bem, com o lado de fora do pé esquerdo, como um raio. Raio não, que raio é muito lento. Três vezes a velocidade da luz. Foi o que ele fez, só escorou ela e deu um ganchinho. Docemente foi subindo, suave, passou pelas virilhas do zagueiro, passou na região pubiana e foi subindo pela barriga, pelo peito. O cara foi se esticando, esticando , esticando, até a ponta dos pés e, viu , diante dos seus olhos esbugalhados, o fim dos seus dias de reinado, com aquela bola roçando o seu rosto suado. Rodopiando ela foi pentear o último fio de cabelo do agora ex-zagueiro, a caminho da aposentadoria, como se fora um velho pistoleiro baleado no pulso e já não tinha mais serventia. E o Duka, impávido, aguardando. Matou ela na coxa, assim com um impulso para deixa-la à altura dos seus olhos. Lembro do desespero do Moisés, saindo do gol, em direção ao pescoço do Duka, como um Genghis Khan enfurecido, arrancando leivas de grama. Mas eu falei, Duka é o Duka. A bicicleta. A pedalada. O golpe. Tchuuuuuussssssssssssssshhhhhhhhhhhhhh. Foi o que se ouviu quando ela deslizou pela parte alta da rede, descreveu uma curva e foi morrer lá no cantinho, tranqüila, serena e com a sensação de que agora deixou de ser apenas uma bola qualquer. Era a materialização do impossível. Era a própria poesia enviada por um desses deuses errantes que volta e meia encarnam em algum centroavante desavisado. O Duka nem lembra desse gol, aposto. Talvez por que tenha feito outros tão ou mais bonitos quanto. É possível pois o Duka é o Duka. Quem quiser ver, aguarde o mês de dezembro que tem outro Jogo das Estrelas e nunca se sabe. O Duka é o Duka. E tudo pode acontecer.

Tchus!

2 comentários:

Anônimo disse...

éééxxxxxxxxxxeeeeee... O Duca é craque rapaz, nem ele jogando...Mas já ouvi muito as histórias dele.

Anônimo disse...

Correção do comentário anterior..."nem vi ele jogando, mas já ouvi muito as histórias"
Alemão Goulart