Diagonal ao Pipoca Paris.
Dezembro. Uma dessas Califórnias da vida. Eu mais J.B, o Mafioso Californiano, observando as gatinhas passantes. Quer dizer elas pensavam que nós estávamos a observá-las, vidrados. Elas eram realmente umas gracinhas mas a gente estávamos vidrados mesmo era pelo álcool consumido durante todo o dia e não dava nem pra piscar. Quem passava à nossa frente, eram fantasmas disformes e frutos de alucinação duplamente qualificada. Veio uma brisa que parecia um furacão. Tive que me agarrar pra não ser levado. O J.B não estava diferente. De repente, sem mais nem menos apareceram umas gurias, bem próximo, passando embaixo de nossos narizes. e aí nós lançamos uma conversa pra boi dormir que nem sei como elas entraram. Um papo sobre a influência hegeliana no neo nativismo pós guerra, que se formara a partir da introdução dos festivais de música no cenário cultural rio-grandense. Bom, enquanto o Passarinho cantava alguma coisa como Negro de Trinta e Cinco ou era o Jerônimo Jardim cantando Astro Aragano? Sei lá, ficamos jogando conversa fora, e vai e vem. Elas simpatizaram , e achavam que na verdade os festivais eram a alma do rio grande do sul e que a música gaúcha era linda e patati patatá e sei lá o que. E alguém apareceu com uma leiteira cheia de cerveja. Elas amaram. Acharam tudo muito pós moderno pois a leiteira remetia a uma coisa primitiva de amamentação e a cerveja , considerada pelos egípcios como o pão líquido. Tudo ligado às lides campeiras. Enfim , a cara do gaúcho. Como as gurias não eram de sexo no primeiro encontro não aceitaram o convite pra ir à barraca conversar e trocar idéias mais carnais e menos espirituais, pra descontrair. Marcamos um novo encontro para o mesmo bat local, bat hora. Como era em uma área aberta, e a única coisa que tinha perto era um carro da Pipocas Paris, vermelho e amarelo ou vice-versa, marcamos para o dia seguinte um encontro pra estreitar a amizade e sabe como é, marcar um futebolzinho e tudo o mais. O JB era segundo atacante e eu meia-armador, ou seja o JB, como segundo atacante, quando chegava o primeiro atacante já tinha levado as gatinhas e eu, como meia-armador só armava para os outros, nada pra mim. A questão é que no dia seguinte lá estávamos nós, banho tomado, barba feita, cabelo cortado, lindos. E completamente bêbados, claro. Bem diagonal ao pipoca Paris. Putz, as gurias não apareceram . Tínhamos até trocado a marca da cerveja. Compramos uma de marca boa e duas de marca diabo e misturamos para dar uma melhorada no sabor e tudo o mais. Chegamos no cara da pipoca e perguntamos se ele não tinha visto umas morenas, lindas (pits, tomara que elas fossem lindas e morenas pois era isso que eu imaginava que eram, nem me lembro. O JB jura que eram loiras de cabelo vermelho mas o Juarez disse que eram morenos jambos, de bombacha Bagé e bigode de palmo e meio, pra cada lado mas o Juarez é um baita inventor) passeando por ali, procurando dois rapazes simpáticos e bonitões. Nada. No caminho de volta pra barraca topamos com uns cinco carros das Pipocas Paris, estacionados nos mais diversos lugares. Mas que bixêra, trêbados nós só vimos um carrinho e bêbados vimos um monte. A questão é que as gurias sumiram como aquela estrela faceira , que, mexendo os cabelos riu, não me olhou e nem me ouviu e com seus arreios de nuvens e estribos de vento bem longe na minha estrela sumiu. Pois bem, até hoje, eu e J.B quando vimos um carrinho das Pipocas Paris perguntamos se o pipoqueiro não viu... Ele não viu.
Pois é,então ouçam, vejam aí. Peri Souza e Fogaça
Um comentário:
Bah, PC mas que histórinha hein?? Não sei se é verdade ou não, mas que é boa, ah isso é!! hehehehe
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